Abordagens conceituais para definir Dado, Informação e Conhecimento

Com o objetivo de explorar os fundamentos da ciência da informação, o texto escrito pelo Prof. Dr. Chaim Zins, “Conceptual Approaches for Definig Data, Information, and Knowledge”, escrito para o Journal of the American Society for Information Science and Technology, traz 130 definições sobre dados, informação e conhecimento elaborados por 57 grandes estudiosos da área em 16 países entre os anos de 2003 a 2005. As análises destas definições foram feitas através do Método Delphi, que é uma metodologia de pesquisa qualitativa que visa facilitar debates aprofundados, críticos e moderados entre os especialistas que fizeram parte da pesquisa e resultou na identificação de modelos para a concepção dos conceitos supracitados.

          Zins é israelense, pesquisador no campo da Ciência da Informação e especialista em mapeamento do conhecimento e organização do conhecimento, qualidade da informação, serviços de informação e pesquisa qualitativa. Sua pesquisa para definir dado, informação e conhecimento advém do fato de que a Ciência da Informação está em constante mudança e isso gerar a necessidade de os cientistas da informação estarem sempre revisando e redefinindo seus fundamentos.

Zins trata os conceitos de dados, informação e conhecimento como inter-relacionados, mas que podem ter as suas naturezas questionadas, bem como seus significados. Ainda comenta que os dados seriam matéria-prima para a informação, e a informação para o conhecimento. Mas, que apesar disso, se fosse assim, talvez devêssemos mudar o nome do campo de Ciência da Informação para Ciência do Conhecimento.

Com a leitura das 44 conceituações de dado, informação e conhecimento, e também suas diferenciações de mensagem, informação e compreensão; dados, informação, conhecimento e sabedoria; sinais; condições do conhecimento; e dado, informação, conhecimento e mensagem; podemos perceber como existem similaridades e tantas outras desigualdades entre as definições. A 45º pessoa a definir os termos é o próprio Zins, fazendo referências à Conhecimento Inferencial Proposicional, conceituando Conhecimento Prático, Conhecimento Direto e Conhecimento Proposicional – Inferencial ou Não Inferencial, e classificando o campo da Ciência da Informação, e qualquer outro campo acadêmico, como campo de Conhecimento Proposicional Inferencial.

A partir das definições, Zins começa a traçar os domínios objetivos, universal ou coletivo, e subjetivos em relação a dado, informação e conhecimento, descrevendo e dando alguns exemplos de cada.

No campo subjetivo, de forma resumida, dado seria estímulos sensoriais, informação seria o significado destes estímulos sensoriais e conhecimento seria um pensamento na cabeça de um indivíduo caracterizado pela justificativa individual de que aquele pensamento é verdadeiro. Já no campo objetivo, eles são artefatos humanos, representados por conjunto de sinais que expressam: estímulos empíricos ou percepções; conhecimento empírico; e o significado dos pensamentos que o indivíduo tem como verdadeiro.

Zins afirma que as análises foram feitas agrupando as definições de acordo com teorias ou escolas que baseiam os argumentos de cada estudioso, pois assim seria melhor o entendimento quanto as definições. Depois ele ressalta a importância deste documento com todas as definições de grandes estudiosos para a área, sendo um mapa para as várias abordagens conceituais para dado, informação e conhecimento.

E, a partir daí, ele consegue viabilizar cinco Modelos para a definição de dados, informação e conhecimento, como mostra no texto:

1. Domínio Universal (UD) : Dado (D) e Informação (I); Domínio Subjetivo (SD): Conhecimento (K); significado: D e I são fenômenos externos; K são fenômenos internos. Este é o mais comum. Ele é a base da lógica para o nome “Ciência da Informação”, ou seja, Ciência da Informação está focada na exploração de dados e informações, que são fenômenos externos e não em explorar o conhecimento, que é fenômeno interno. 

2.  Domínio Universal (UD) : Dado (D); Domínio Subjetivos (SD) : Informação (I) e Conhecimento (K); significado: D são fenômenos externos; I e K são fenômenos internos.  

3. Domínio Universal (UD) : Dado (D), Informação (I), Conhecimento (K); Domínio Subjetivos (SD) : Informação (I) e Conhecimento (K); significado: D são fenômenos externos; fenômenos I e K pode estar em ambos os domínios, externos ou internos.

4. Domínio Universal (UD) : Dado (D) e Informação (I); Domínio Subjetivos (SD) : Dado (D), Informação (I) e Conhecimento (K); significado: D e I  são fenômenos que podem estar em ambos os domínios, externos ou internos; fenômenos K são internos.

5. Domínio Universal (UD) : Dado (D), Informação (I) e Conhecimento (K); Domínio Subjetivos (SD) : Dado (D), Informação (I) e Conhecimento (K); significado: fenômenos DIK podem estar em ambos os domínios, universal (ou seja, externo) ou subjetivo (ou seja, interna).

Ele ainda propôs uma participação em seu site para que as pessoas pudessem compartilhar seus pontos de vista quanto a esses conceitos-base da Ciência da Informação. Clique aqui para ver as respostas do fórum.

Através de todos os pontos de vista que foram explanados, podemos perceber a dificuldade que a Ciência da Informação tem em definir conceitos-base do seu campo. Esta ambiguidade ou desigualdade entre os conceitos pode dificultar a aprendizagem e disseminação da informação para outras pessoas, já que o que é informação pode não ser o mesmo para outro.

 

Para finalizar, deixamos um vídeo com uma propagando do Estado de São Paulo a respeito de Informação e Conhecimento: “Se a informação é de graça, a solução é vender conhecimento.”

E para você?

O que é Dado, Informação e Conhecimento?

Qual a importância da definição destes termos para a evolução da Ciência da Informação?

 

4 ideias sobre “Abordagens conceituais para definir Dado, Informação e Conhecimento

  1. Quando surge uma dúvida sobre um tema, tendemos a realizar uma pesquisa bibliográfica para sanarmos as dúvidas sobre conceitos e definições que não temos segurança do que se trata. O artigo do Prof. Zins possui uma inovação metodológica, quando, ao encarar o impasse na definição de dado, informação e conhecimento na área da Ciência da Informação, ele resolve utilizar o Método Delphi para coletar a opinião de especialistas. A grande contribuição, então, seria sua intenção não de colocar um ponto final na discussão, mas ampliar o entendimento através da construção de modelos, que auxiliariam à obtenção do conceito, de acordo com o propósito de sua utilização.

    Inicialmente, são categorizadas as abordagens conceituais encontradas nas definições levantadas. Assim, os conceitos são categorizados em metafísicos ou não-metafísicos e outros diversos desdobramentos. Por fim, é observado que a abordagem conceitual é mais comumente apresentada através de conceitos não-metafísicos, centrados no ser humano, baseado em cognição e proposicional. Esse ponto é chave para direcionadores da delimitação dos conceitos que podem ser considerados centrais. Também são interessantes as considerações finais, onde é sugerida uma reflexão sobre os domínios universais ou subjetivos. Focar a Ciência da Informação somente nos objetos de domínio universal (dado e informação) permitiria a criação de uma nova ciência do conhecimento? São questões que ficam ainda abertas. Construí minhas próprias definições de dado, informação e conhecimento, com base nas nossas leituras e discussões.

    Dado é uma unidade desprovida de contexto, porém com conteúdo.
    Informação consiste de dados classificados ou agrupados, aos quais foi adicionado um contexto e sobre a qual é possível realizar inferências.
    Conhecimento é a experiência subjetiva da captação da informação e a coleta do resultado de seu processamento.

    Portanto, vemos que minhas definições estariam mais para o domínio subjetivo. Poderíamos realizar uma discussão se nosso grupo tende mais para o universal ou o subjetivo. O que acham?

  2. Assim como acontece em várias áreas do conhecimento, a falta de acordo sobre determinadas definições atrapalha o desenvolvimento científico e causa discussões. Essa falta de unanimidade pode ocorrer devido à natura da área, o que acontece quando tratamos de dado, informação e conhecimento.

    A iniciativa do prof. Zins reúne a definição de dado, informação e conhecimento elaborada por 45 estudiosos da área. Isso nos permite, pelo menos, explicitar qual a abordagem que estamos adotando quando tratamos desses termos.

    Essas diversas caracterizações que vimos até agora nos ajuda a chegar a um entendimento próprio. Pessoalmente, as caracterizações que mais me influenciaram foram as do Setzer. Além disso, posso dizer que o meu entendimento sobre dado, informação e conhecimento se encaixam no modelo 2, proposto pelo prof. Zins.

  3. Tomando como ponto de partida para a discussão as palavras iniciais do colega Rony “quando surge uma dúvida sobre um tema (…) realizar pesquisa bibliográfica para sanarmos as dúvidas sobre conceitos e definições (…)”, seria interessante enfatizar, como sugestão de análise da literatura ocorrente sobre “dado”, “informação” e “conhecimento”, a existência de um procedimento metodológico, a nível formulação teórica, denominado revisão sistemática da literatura (systematic literature review – SLR), que segue com finalidade de identificar, avaliar e sintetizar, de forma confiável, rigorosa e auditável, estudos relevantes e publicados, por intermédio de critérios específicos, referentes a um dado campo ou tópico de pesquisa, existente sobre os conceitos que, como enfatizando pelo Rony, “não temos segurança do que se trata”. A posteriori, nós poderíamos partir pra uma meta-análise (a análise da análise) com o propósito de sintetizar quantitativamente, os devidos conhecimentos obtidos a partir de estudos empíricos da área sobre os conceitos a serem questionados.

    No caso do artigo “Conceptual Approaches for Defining Data, Information, and Knowledge”, a partir da consecução de um estudo do tipo Delphi bem estruturado e com finalidade de abrir as primeiras portas para a discussão sobre os conceitos básicos e fundamentais da própria Ciência da Informação, Mr. Zins toma a iniciativa de confrontar os diversos autores da literatura, ao propor uma extensão do entendimento frente aos conceitos de “dado”, “informação” e “conhecimento” existentes, dado com base em cinco modelos classificatórios. Após tal feito de pesquisa, o próprio Mr. Zins enfatiza que os leitores, aqueles interessados pelo sua análise, ainda deveriam refinar a extensão desse estudo, além de suas respectivas interpretações, com base na formulação compreensiva e sistemática da definição de “dado”, “informação” e “conhecimento”.

    A passagem anterior que pode ser definida como uma sugestão para o desenvolvimento de novas análises, conforme abordado no artigo, leva-nos ao questionamento sobre a pretensão do Mr. Zins ser tão diferente do pensamento do pesquisador brasileiro Valdemar W. Setzer, que, por sua vez, publica entre os demais o “seu” posicionamento epistemológico, pelo menos a nível pessoal, de certa forma baseado em “suas” percepções, que resultam em um pensamento limitado ao não levar em conta a existência de “n” estudos na literatura que abordam esses três conceitos. Logo, fica evidente o quanto os dizeres de Setzer merecem ser “metralhados” em demasiado.

    Enfim, como complemento final do presente comentário, uma reflexão crítica a ser tomada seria justamente em relação ao fator do acúmulo de conhecimentos, nesse caso com base nos três conceitos em evidência, depender cada vez mais da integração entre estudos anteriores, especialmente na consecução de diferentes níveis de análise que acarretem em um conhecimento pleno, e a descoberta de resultados empíricos. Sendo o primeiro caracterizado pelo ato de levantar ou hastear as bandeiras de cada definição teórica, e o segundo por um entendimento aprofundando, que proporcione a consolidação do campo prático da pesquisa científica na área de Ciência da Informação. Ainda, a extensão da teorização dessa literatura ainda pode ser destacada a partir de sua melhoria contínua e o aumento de informações e conhecimentos, essenciais para a consolidação e progresso do campo científico, como pretende Mr. Zins ao compartilhar sua preocupação entre os demais “construtores” da Ciência da Informação.

  4. É preciso definir bem um termo para que se possa evoluir com os estudos, mas como vimos, e como mencionado pelos colegas, os termos “dado”, “informação” e “conhecimento” são termos que ainda não possuem uma definição fechada. São utilizados de formas diferentes por todos, ficando, em alguns casos, difícil manter uma discussão.

    No artigo se trabalha diversas definições, algumas bem parecidas, mas ainda sim não exatamente iguais. É importante, segundo o autor, quando se falar de qualquer um desses termos, dizer qual a abordagem está sendo utilizada e colocar sua definição de forma explícita, na tentativa de que todos “falem a mesma língua”.

    Essa discussão continua.. =]

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